Capa de FIFA 17 mostrando jogador com uniforme amarelo e preto do Borussia Dortmund em estádio cheio de bandeiras amarelas. Logo EA Sports e título ‘FIFA 17’ aparecem à frente.

FIFA 17 | Das categorias de base ao estrelato

Minhas jogatinas com futebol virtual se encerraram no já longínquo tempo do primeiro PlayStation, quando comprávamos baciadas de jogos por dez reais. Naquela época, o PES se chamava Winning Eleven e FIFA era apenas um esforçado coadjuvante dos gramados dos videogames. Era o tempo do final das locadoras e dos campeonatos organizados em folhas de papel que reuniam crianças e adolescentes do bairro. Se minha memória não falha, o último jogo de futebol ao qual ainda dediquei algum tempo foi o J. League Jikkyou Winning Eleven 2000 (que nome hein, dona Konami).

Desde então, os videogames mudaram. A série FIFA destronou o jogo da Konami, que já se chamou Winning Eleven, Pro Evolution Soccer, PES e, mais recentemente, eFootball. Meus gostos também mudaram e, junto com a evolução dos jogos, passei a apreciar novas formas de me dedicar a este entretenimento. As narrativas começaram a ter um peso mais importante para mim, e o futebol (e jogos de esporte em geral) é apenas mecânica e controle. Além de não ser uma experiência tão divertida no singleplayer.

Montagem com capa de jogo exibindo três jogadores e título ‘J.League Winning Eleven 2000’. Ao lado, screenshot de partida.
Jogos de futebol eram assim

Porém, quase vinte anos depois, me vi novamente interessado por um jogo de futebol: FIFA 17. Mas não foram as mecânicas, modo online, avanços gráficos ou de jogabilidade que me despertaram o interesse nessa franquia anual de público fiel e que imprime dinheiro para a EA. Voltei a comprar um jogo de futebol por causa de um atleta até então desconhecido do grande público. Um cara em início de carreira nos gramados ingleses. Alex Hunter me trouxe de volta ao futebol.

A Jornada

Mas como assim, comprei um jogo de futebol por causa de um atleta? Bem, Alex Hunter é um jogador literalmente virtual. Ele é o personagem principal do modo de jogo A Jornada, que estreou no FIFA 17 e acrescentou uma inesperada camada narrativa sobre o jogo de futebol da EA. Uma adição interessante a quem, como eu, se interessa mais por historinhas do que mecânicas. Um frescor bem-vindo a um tipo de jogo de difícil inovação para além de gráficos e algumas firulas de jogabilidade.

Cena de treino com jogador em colete amarelo diante de gol com alvos de precisão.
Hora do treino

Iniciando A Jornada, primeiro somos apresentados a alguns fatos da vida do atleta. Neto de uma estrela do passado do futebol inglês, Hunter deseja seguir os passos da carreira do avô. Com o pai ausente, vive com a mãe e busca espaço nas equipes de base dos grandes times da liga inglesa. Mas claro, se trata de um jogo de futebol. Apesar da camada de história, tudo o que fazemos é controlar nosso craque em campo.

O começo é como o de todo grande jogador. Após conseguir uma oportunidade na equipe do avô, o West Ham United Football Club (você pode escolher outro time), seu objetivo passa a ser conseguir um bom desempenho nos treinamentos e aproveitar as oportunidades dadas pelo técnico para entrar em campo. Essas oportunidades não são fáceis. No começo, você é um reserva, entrando em campo apenas no segundo tempo. E em muitas dessas oportunidades, você tem que reverter um resultado negativo. E não se esqueça de impressionar o técnico.

A busca pelo estrelato

O início da carreira no futebol é cheio de altos e baixos e Alex Hunter não está imune a isso. Mesmo jogando de forma irretocável, a chegada de uma grande estrela ao time faz com que Hunter perca o seu lugar na equipe. O craque é então emprestado a um clube da English Football League Championship, um nome pomposo para a segunda divisão inglesa. E aqui, mais do que nunca, Hunter tem que mostrar o seu valor.

Renderização de jogador com uniforme do Manchester United sendo entrevistado com microfone EA Sports. Painel atrás exibe logos do clube, FIFA 17 e Premier League. Opções de diálogo aparecem na parte inferior.
Entrevista

A camada narrativa entre as partidas é suscetível a mudanças em determinados momentos da história. Em alguns pontos, fazemos escolhas nas entrevistas pós-jogos e nos diálogos com os companheiros de equipe, familiares e com Michael Taylor, empresário do atleta. Essas escolhas afetam nosso relacionamento com a torcida e com o treinador. Um bom relacionamento com a equipe aumenta a possibilidade de contratos de publicidade e um bom relacionamento com o treinador garante a permanência na equipe titular.

Estar na equipe titular, entretanto, não depende apenas dessas escolhas e do desempenho em campo. Os treinamentos são parte importante do trabalho de um jogador profissional e com Alex Hunter não seria diferente. Antes de cada jogo, temos o dia de treinamento. Nesse momento, aprendemos e desenvolvemos as diferentes habilidades de Hunter, treinando desde práticas de defesa ao ataque, passando por fundamentos como passes, cobranças de falta, desarme e drible. Existe a possibilidade de simulação dos treinamentos, dessa forma, porém, o avanço das habilidades de Hunter acontece de forma mais lenta.

Presente e futuro

Antes e depois das partidas podemos acompanhar a repercussão e a popularidade do jogador através de uma espécie de Twitter que acompanha as telas de carregamento. É na rede social que vemos o impacto de nossas partidas, treinamentos e consequências de nossas escolhas. Lá vemos o que torcedores falam de nosso desempenho, os elogios do empresário, comentários dos companheiros de time, mensagens da mãe de Hunter e até alfinetadas de nossos desafetos.

Jogador com camisa vermelha número 29 e nome Hunter celebra com braços abertos diante de torcida sob luzes fortes do estádio.
Estrelato

Óbvio, para tornar a camada de narrativa mais interessante, os percalços de Hunter rumo a uma grande carreira acontecem principalmente fora de campo. Os relacionamentos do atleta com amigos de infância se deterioram no decorrer do jogo à medida que novas amizades surgem de lugares inesperados. As tramas com os jogadores Danny Williams e Gareth Walker fortalecem os acontecimentos da novela extracampo. Novela que termina com um gancho para a próxima “temporada”.

Alex Hunter me trouxe de volta ao futebol…

…e continuarei a acompanhar a sua história. Esta nova forma de apreciar um jogo de futebol foi um acerto muito grande da EA. Para o FIFA 2018 espero que a camada narrativa seja ainda maior, já que, contrariando a expectativa, a novela de Hunter é melhor do que jogar as partidas em si.


FIFA 17
EA Canada, Electronic Arts

 A presença de Alex Hunter transforma a experiência, dando propósito às partidas.
 Integração entre história, desempenho e escolhas.
 A jogabilidade continua sendo a mesma experiência FIFA de sempre.

 FIFA 17 entrega algo inesperado ao apostar em uma camada narrativa ao jogo, capaz de resgatar até quem já havia se afastado do gênero. Uma combinação surpreendente que mostra como pequenos riscos podem revitalizar franquias anuais.

Jogado no Xbox One.

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