Cena em pixel art com título ‘DEVWILL TOO – PROLOGUE’. Céu em degradê com nuvens rosas e montanhas roxas ao fundo. À esquerda, torre cilíndrica amarela com símbolo vermelho brilhante no topo; à direita, personagem amarelo com cauda sobre plataforma triangular olhando para a torre.

Devwill Too Prologue | A luta contra o temor e a solidão

Devwill Too Prologue é um jogo de Amaweks, desenvolvedor, musicista e artista brasileiro. Visite seu blog e o siga no X e Instagram. Conheça outros jogos em seu portfólio online.


Aos que tiveram a oportunidade de jogar quaisquer das versões anteriores de Devwill Too, Prologue será de fácil assimilação. Plataforma em essência, mas com elementos do estilo metroidvania, o jogo mantém todas as boas características de seus antecessores e eleva o nível sobremaneira no quesito visual.

Instante anterior

Compartilhamos a matéria geradora e o casulo. Nossa casa primordial era quente, confortável e escura. Desde que fui presenteado com a consciência, soube que estava acompanhado. Sentia a sua presença, como se fôssemos metades de um único ser. Indivisíveis, embora separados. Desejei ficar ali até que a completude de meu tempo fosse atingida. Mas não fui atendido.

A luz nos esperou pacientemente, até que as engrenagens forçassem sua entrada no que até então era o nosso mundo. No exterior, insignificante diante do universo, notei que não existiam mais paredes que pudessem me conter. A liberdade me atingiu e me senti poderoso, mas somente até o momento em que me virei. Foi quando me lembrei de quem me acompanhou no silêncio anterior. Então, temi.

Olhei para meus braços, meu ventre e minha cauda oscilando desordenadamente próxima aos meus pés. Olhei para seus braços, seu ventre e sua cauda oscilando desordenadamente próxima aos seus pés. Ele era igual a mim. Eu era igual a ele. Cada partícula, como um reflexo no espelho. No entanto, não o reconheci e não o conheci. Tomado pelo medo do idêntico desconhecido, usei a força para me tornar o regente solitário do mundo.

Mecânicas iguais, visual deslumbrante

Os controles de Devwill Too Prologue respondem de forma precisa aos comandos do jogador, mesmo que o jogo na maior parte do tempo não seja exigente nos desafios de plataforma. Nos combos e no enfrentamento de chefes eles brilham. É delicioso jogar sem a preocupação com comandos complexos ou falhas que não partem da interação do jogador com o mundo.

Pixel art com personagem amarelo sobre plataforma de grama e blocos azuis. Fundo com árvores de troncos multicoloridos e copas verdes com pontos vermelhos, colinas roxas e céu em degradê azul‑rosa‑verde com nuvens pixeladas.
Céu com nuvens

O jogo é fácil, mas longe de ser algo infantil. O nível de atenção para transpor as plataformas cresce à medida que a jornada se aproxima do final. Elas também escondem segredos que requerem saltos de fé em determinados locais. E, assim como nos jogos anteriores, a ajuda vem na forma da aquisição do poder de pulo duplo e poder de rasteira.

São essas habilidades que garantem as idas e vindas em busca de locais inacessíveis num primeiro momento e que revelam os segredos escondidos nos ambientes.

Os inimigos são derrotados com pulos sobre suas cabeças. Alguns requerem mais de um acerto para serem eliminados. Outros estão posicionados em locais chaves que garantem uma grande sequência de combos, que por sua vez se transformam em pontos que garantem mais vidas ao jogador. Os chefões de Devwill Too Prologue são um grande avanço em relação aos jogos anteriores. Eles são maiores e mais complexos, se movimentam de formas inusitadas por suas câmaras e não esperam passivamente pela derrota.

As músicas e sons têm boa qualidade de áudio, quase fazendo duvidar que se está jogando uma obra de Mega Drive, conhecido pela qualidade sonora longe da excelência. Mantendo a tradição dos demais jogos da série, Prologue também conta com a opção de ouvir as suas músicas na jukebox. E sim, elas são boas o suficiente para serem ouvidas de forma separada do jogo, mas é ao longo da aventura que elas brilham, combinando com o belo visual do mundo em que se encontra Homunculus. E que visual!

Cena noturna em pixel art com céu estrelado e lua crescente. Plataformas de tijolos laranja e rosa sustentadas por colunas arco‑íris. Vegetação pixelada espalhada e personagem amarelo no nível superior; área inferior com plantas e terreno detalhado.
Cenários bonitos

O jogo brilha no quesito visual. Cada tela é um deleite para os olhos. Os cenários dão o tom para a construção dos mistérios que exalam de cada elemento que formam o mundo. Os efeitos de paralaxe tornam tudo vivo, um gostoso contraste com a solitude que envolve o personagem. E não são apenas efeitos cosméticos, em determinados momentos toda a beleza dos efeitos visuais são intrínsecos à jogabilidade, tornando a obra um grande feito para o hardware 16-bit do Mega Drive.

Novo ciclo

Solidão. Este era o sentimento. Envolto pelos inimigos, não sabia se eram criaturas reais ou criações do meu arrependimento. Independente da realidade, o que sobressaía era a solidão. Não sei quanto tempo passou, não entendia se meus olhos pregavam uma peça, mas novamente o vi. Mas não, não era ele. Era impossível, apesar do mundo absurdo em que me encontrava. Mas era… quase… igual a mim. Impossível…

Perdi a minha regência. Temi. Fugi.

Considerações

Devwill Too Prologue continua a excelente série jogos estreladas pelos Homunculus. Fruto do melhor do desenvolvimento brasileiro de jogos, foge do lugar comum e é o tipo de obra que recarrega a vontade de jogar videogames. Bonito e divertido, é uma pérola a espera de ser descoberta por mais jogadores e romper o nicho em que se encontra.


Devwill Too Prologue
Amaweks

 Nível artístico impressionante.
 Chefões criativos e dinâmicos.
 A baixa dificuldade geral pode limitar o senso de progressão.

 Devwill Too Prologue expande o que a série já fazia bem, equilibrando precisão mecânica, atmosfera singular e uma identidade visual marcante.

Jogado no PC via itch.io.

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