Cena monocromática com silhueta de criança de olhos brilhantes diante de aranha de pernas longas emergindo da escuridão. Fundo enevoado e atmosfera sombria. À direita, título ‘LIMBO’ em letras brancas.

Limbo | Um mundo aterrorizante e deslumbrante

Você acorda numa floresta sombria. O mundo à sua volta não possui cores. Tudo é preto, branco e as escalas de cinza entre esses extremos. Não há tempo de entender o que se passa. Não há opção a não ser iniciar a caminhada.

Não há indicações na tela. O instinto de décadas de videogame impele o jogador a movimentar o personagem para a direita da tela. O que sabemos é que, aparentemente, o garoto sem nome está à procura de sua irmã. Pelo que o título indica, ele está em uma espécie de limbo.

Assim começa o jogo que marcou a comunidade gamer uma década atrás.

No Limbo

Limbo é um jogo de ação de movimentação lateral 2D. Logo de cara, o que chama a atenção é a falta de colorido do seu mundo. Além disso, tudo parece desfocado, lavado e impreciso. E muito, muito perigoso. Mesmo o garoto que controlamos é um vulto negro que não se destaca do mundo, a não ser por seus grandes olhos. A arte, mesmo com esses limites impostos, é maravilhosa, flertando com estéticas que esbarram nos filmes do início do século XX. E, mesmo bela, não deixa de ser amedrontadora.

Silhueta de criança parada na beira de plataforma encarando vão entre dois blocos. Acima, letreiro ‘HOTEL’ com luzes piscando e faíscas. Estruturas e fios ao fundo reforçam clima escuro e misterioso.
Deslumbrante

O garoto em sua busca, desamparado, não enfrenta apenas a opressão da floresta sombria. Quebra-cabeças que desafiarão o jogador estão espalhados por todo o jogo. Desafios de física, lógica, percepção e atenção. Você anda, escala, se pendura, escorrega, movimenta objetos, carrega outros, aciona grandes botões, desafia a gravidade e enfrenta aranhas infernais. E todos esses obstáculos são inseridos de forma tão harmoniosa que nada ali parece artificial. Você crê que tudo que se passa nos ambientes de Limbo é possível, mesmo em meio a toda a fantasia.

Com tantos desafios, e alguns não muito fáceis, espere se esbarrar constantemente com a morte. E ela vem de forma impiedosa. O garotinho que controlamos se afoga, cai de grandes alturas, é esmagado por pedras e gigantescos equipamentos industriais, empalado por grandes lanças, serrado em várias partes, decapitado, fuzilado e até capturado e comido por criaturas malignas. Dada a física que se pretende transparecer realística, a sensação de inércia do corpo sem vida do garoto em suas mortes incomoda. Não há piedade no mundo de Limbo.

No jogo

Apesar das muitas mortes pelas quais o jogador de Limbo passará, o jogo está longe de ser frustrante. Os checkpoints na árdua caminhada do garoto são generosos. Ao morrer, você retornará para poucos metros antes do ponto de sua morte, o que torna as tentativas de superação dos desafios algo até prazeroso. São poucos os movimentos, mas muitas as possibilidades. É notável o que os desenvolvedores da Playdead conseguiram com Limbo.

Silhueta de criança em campo aberto observando uma pessoa enforcada.
Aterrorizante

Sem quebras ou pausas, Limbo vai de seu início ao fim como um grande plano sequência de cinco ou seis horas, média de duração do jogo. E tão abrupto quanto seu início é o seu final. Não há explicações, apenas mais questionamentos lançados nos poucos segundos antes da tela de créditos. Limbo é uma grande, bela e sinistra experiência.


Limbo
Playdead

 Direção de arte excepcional
 Desafios inteligentes de física e lógica que se encaixam organicamente no mundo.
 Queria mais. Poderia ser mais longo.

 Limbo é uma experiência sombria, elegante e profundamente imersiva, capaz de causar impacto mesmo muitos anos após seu lançamento.

Jogado no PC via Steam.

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