Jogar The Vagrant é experienciar uma mistura heterogênea de sensações, referências e estilos. Nas horas que o jogo proporciona, vemos em tela algumas inspirações diretas de Odin Sphere, Valkyrie Profile, Vagrant Story, Dragon’s Crown… Isso apenas para citar os mais óbvios. E, apesar de o que se possa imaginar num primeiro momento, toda essa miscelânea compõe um jogo que, se não é perfeito, é bonito e, sobretudo, divertido.
O início
Vivian, mercenária solitária, chega em uma praia desconhecida após um naufrágio em alto-mar. Sua vida até ali foi apenas de buscas. A busca pelo entendimento da morte de sua irmã. A busca pelo paradeiro de seu pai. E na terra estrangeira em que aporta após a quase morte nas águas, seguirá buscando o que lhe falta na alma.

Neste mundo cinzento, se vê envolvida em histórias que, nos momentos iniciais, parecem lhe serem completamente alheias. Amantes que encontram a morte na procura de um amor. Reis enlouquecidos que em sua ganância encontram apenas a morte de todos a sua volta. Organizações e entidades que provocam o caos nos frágeis estabelecimentos humanos da terra. Sob sua visão, enfrentamos a jornada.
Jogando The Vagrant
Não há dificuldade no aprendizado das mecânicas jogo. A progressão lateral da personagem pelo mundo 2D com plataformas é familiar para a grande maioria dos jogadores. E para facilitar, The Vagrant não propõe nada além das convenções dos jogos do estilo. Vivian possui um ataque leve, um ataque pesado, magias e o pulo.
Ser simples, no entanto, não é ser simplório. O jogo oferece uma gama variada de armas, itens, magias, combinações e evoluções. As armas podem ser encantadas com pedras mágicas que lhe conferem algumas vantagens. O mesmo se aplica às armaduras. Todas elas também podem ser aperfeiçoadas com a mana de Vivian. Os coletáveis são abundantes ao longo do jogo e podem ser trocados com alguns comerciantes encontrados pelo caminho.

Há também a árvore de talentos, essencial para progressão no jogo. Nela, estão habilidades básicas, como o pulo duplo, até o avanço na defesa e ataque da personagem. Novos golpes também são desbloqueados através desse sistema. Tudo é desbloqueado com a mana adquirida na jogatina. É aconselhável ler as descrições de todos os avanços possíveis e os comprar de acordo com o seu estilo de jogo e a necessidade do momento.
Com relação à dificuldade, The Vagrant também não inova. Apesar de não ser um jogo particularmente difícil, ele exigirá algum esforço do jogador para progredir. No entanto, nada impossível. Durante a jogatina, espere encontrar truques vistos em outros jogos do gênero. Entre eles, inimigos posicionados de forma a surpreender e derrubar Vivian de plataformas difíceis de serem escaladas. Ou chefões que demandam várias etapas para serem derrotados, chamando aliados para dificultar sua derrota. Esses, inclusive, demandam algumas tentativas até que se perceba seus padrões para tornar o combate mais equilibrado.
Pode-se dizer que The Vagrant será um bom desafio para os jogadores experientes no gênero e uma boa porta de entrada para os que o desejam conhecer. Neste quesito, apenas as partes finais do jogo começam a se tornar um pouco cansativas. Isso, devido à quantidade de mana e dinheiro para alguns avanços necessários que se tornam demasiado altos.
Outros toques
O visual de The Vagrant é realmente bonito. Os fundos dos cenários dão a atmosfera exata do que o jogo pretende para cada ambiente. Os inimigos são muito bem animados e é possível perceber o capricho dispensando aos chefões do jogo. Todos exalam o terror preciso para aquele mundo. Exceção feita a alguns animais que enfrentamos no início do jogo. Não que eles não sejam bons trabalhos visuais, eu apenas fiquei com pena de matá-los. Vivian e outros personagens secundários também possuem o mesmo capricho visual.
O capricho com os cenários e personagens infelizmente não se estende à interface do jogo. Toda ela é genérica e não condiz com a atmosfera de fantasia da história. A navegação pela árvore de talentos não é natural, misturando elementos pensados para mouse em comandos com controle. Isso se repete nos demais menus, que necessitam de muitas rolagens até conseguir o que se pretende. Os mapas também não tiveram refinamento. Nem sequer podem ser chamados de mapas. São apenas blocos que se interligam mostrando entradas e saídas de cada seção do jogo.

Outro aspecto falho são os salvamentos. Eles só podem ser feitos em locais específicos do mundo de The Vagrant. Às vezes, um salvamento requer uma longa jornada. Não há motivos para um jogo moderno ainda se utilizar desse tipo de sistema (a não ser se justificado pela história). As músicas também deixam a desejar. Em certos momentos, optou-se por uma trilha pesada e repetitiva que destoa da magia do mundo. Questão de gosto, ao meu não agradou.
Em resumo, embora seja possível perceber que é um jogo que poderia ser melhor refinado, The Vagrant é um projeto de pequeno escopo que entregou um produto que condiz com o valor cobrado. Vale ser jogado.
Sword of the Vagrant
O.T.K. Games, Thermite Games
Sistema de progressão variado.
Direção artística caprichada e alguma dose de fanservice.
Interface e navegação pouco refinadas.
The Vagrant entrega uma aventura 2D estilosa e competente, que brilha especialmente em sua arte e no prazer de evoluir a protagonista. É um projeto que não é grandioso, mas que cumpre o que promete.