Pixel art com rua cheia de personagens alarmados ao redor de figura caída com auréola. À direita, ceifador gigante sorri atrás da cena. Título ‘DEATH COMING’ aparece no topo com foice estilizada.

Death Coming | A Morte precisa de ajuda

Passei os últimos dias jogando muitos joguinhos simples, com pouca jogabilidade e ainda menos de história, que acabei me animando bastante quando iniciei Death Coming. Primeiro, é um jogo em que você está do lado do mal. Segundo, a arte pixelada dos cenários é muito, muito bonita. Terceiro, é sério cara, você é o assistente da Morte! Quarto, o jogo começa bastante divertido.

Mas nem tudo são flores… Death Coming começa de forma bastante divertida, mas algumas decisões tomadas na construção do jogo temperam a diversão com doses de frustração.

Morreu, mas passa bem

Death Coming começa com a sua morte. Rápida, indolor e sem explicações. Na segunda tela já estamos sendo recrutados pela temida Morte. Ao que tudo indica, ela está precisando de férias, então rapidamente começamos o treinamento de ceifador de almas. É um bom trabalho, já que o pagamento prometido é o seu retorno à vida. Mas para conseguir isso, é necessário cumprir algumas metas.

Figura esquelética em pixel art usando capuz e segurando foice de lâmina amarela diante de nuvens escuras. Textos em inglês, francês, chinês e japonês aparecem ao redor.
Deixe seu currículo

Assim, de uma posição onipotente num mundo muito bonito e detalhado, você inicia seu trabalho. Em cada fase, você deve matar um número mínimo de pessoas, com alguns alvos específicos que lhe rendem uma maior pontuação. Mas como um assistente da Morte, você não age diretamente contra suas vítimas. Ao contrário, você deve influenciar o ambiente em que essas pessoas estão para alcançar o seu objetivo.

No início, os caminhos necessários para alcançar as desejadas mortes são óbvios. Um aparelho de ar condicionado pode despencar em cima de um cidadão na calçada. Um vaso de planta pode causar um acidente semelhante, mas de forma menos dolorosa. Já um fio mal encapado pode eletrocutar várias pessoas em uma piscina. Com o avançar das fases, no entanto, seu trabalho começa a ficar complexo. Por exemplo, numa fábrica militar, distraia o guarda tocando o telefone, facilite o roubo de um míssil, leve a arma para o vestiário do local e então a detone para provocar algumas mortes. Ou faça com que o Presidente flagre a traição de sua namorada, o que leva a uma execução impiedosa do Ricardão. Sim, é esse o nível de loucura de Death Coming, que poderia o tornar um jogo nota dez.

Cena em pixel art mostrando porto com navio, guindastes, fábricas, casas e ruas com carros e pedestres.
Cenários interessantes

Infelizmente, o afastando da nota máxima, algumas decisões vão tornando o jogo menos divertido no decorrer da jogatina. As fases de Death Coming são grandes e povoadas. Isso, por si só, não é um ponto negativo. Para ter sucesso em algumas mortes, entretanto, uma série de passos devem ser seguidos rigorosamente. Falhou em algum ponto? Não é mais possível realizar esta morte específica. Se o avanço para o próximo nível depender dessa morte, você terá que reiniciar toda a fase.

O mesmo se aplica para os diversos objetos que podem ser usados pelo mundo. Nenhum deles são destacados, o que faz com que o jogador tenha que procurá-los, clicando sobre eles. Se é um objeto que pode ser usado, ele receberá um contorno vermelho ou realizará uma animação de uso. O problema é que alguns desses objetos só podem ser usados um número limitado de vezes, como, por exemplo, a água de um hidrante que empurra alguém para a morte. Acabaram as possibilidades de uso, mesmo que por um clique acidental? A morte oriunda daquela ação não poderá ser mais realizada, o que pode também causar a necessidade de reinício da fase.

Parado, é a polícia

Outro ponto que retira um pouco da diversão de Death Coming é a polícia. Pode parecer estranho, mas após algumas mortes, anjos policiais começam a fazer uma ronda pela fase. Sim, são anjos policiais! Voando pelo cenário, esses anjos têm seus raios de visão visíveis através de um cone à frente de cada indivíduo. Caso suas ações pelo cenário sejam flagradas por esses anjos de farda, você perde uma vida. Três vidas perdidas e a fase deve ser refeita. O grande problema é que, dependendo do zoom que estiver aplicado no cenário, o campo de visão do anjo te detecta antes mesmo de você sequer saber que o anjo está por ali.

Emblema central com anjo segurando bastão cercado por folhas douradas e estrelas. Fundo mostra ambiente futurista com máquinas e monitores.
Mãos para cima

É uma camada extra à jogabilidade que pode tornar injusta e aleatória as suas derrotas. Sem contar as mortes que você deve realizar e requerem uma ação em momento específico, mas que não podem ser realizadas por causa de um anjo bisbilhotando o local. Assim, você tem que aguardar um novo looping de movimentos e ações dos personagens até uma oportunidade de realizar o seu trabalho. E sempre torcendo para que o maldito anjo não esteja novamente nas imediações para atrapalhar tudo.

Jogue

Apesar de ter podido ser um jogo muito melhor se decisões diferentes tivessem sido tomadas, Death Coming vale ser jogado. Mesmo com as falhas, o jogo é muito bonito, os cenários são diversificados e o humor encontrado em detalhes ao longo das fases vai arrancar alguns sorrisos do jogador. Além de ficar bem baratinho nas promoções ao longo do ano.


Death Coming
NEXT Studios

 Criatividade nas mortes e nas interações com o ambiente.
 Cenários pixelados ricos em detalhes e cheios de humor.
 Patrulhas policiais imprevisíveis.

 Death Coming conquista pelo humor e pela variedade de situações absurdas, mas algumas escolhas tornam a experiência cansativa.

Jogado no PC via Steam.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *