Ilustração anime de personagem de cabelo azul‑arroxeado longo, olhos azul‑claro e roupa branca com detalhes rosa, mãos próximas ao peito. Fundo suave e texto ‘Lucy – A Eternidade Que Ela Desejava –’ à esquerda.

Lucy: A Eternidade Que Ela Desejava | Uma história repleta de clichês

Qualquer análise de Lucy: A Eternidade Que Ela Desejava tem que ser iniciada com as três leis da robótica, de Isaac Asimov:

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que entrem em conflito com a Primeira Lei.

3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Considere-se uma pessoa de sorte, neste texto você lerá tais leis apenas uma vez. Já ao longo do jogo, você passará por elas uma quantidade incontável de vezes. Imagino eu, uma tentativa (falha) de transmitir algum tipo de profundidade à história. Mas, vamos começar do início.

Clichê demais

Lucy: A Eternidade Que Ela Desejava se passa numa realidade em que androides fazem parte do cotidiano. Porém, apesar da tecnologia avançada disponível, o mundo não se parece muito diferente do nosso. As casas, eletrodomésticos, empregos e organização da sociedade são como as nossas. Não que faça diferença, já que não há nenhuma influência desses elementos na história.

Cena anime com dois personagens em rua tranquila: à esquerda, figura de cabelo castanho curto, óculos e roupa social; à direita, personagem de cabelo branco longo, olhos azuis e traje rosa.
Visual clássico vendido separadamente

Começamos o jogo com o protagonista, um sujeito que odeia androides, encontrando uma modelo protótipo avançadíssima chamada Lucy em um ferro velho e a levando para casa. E esta, creiam, nem é a parte mais forçada do jogo. Tudo se desenrola numa sequência interminável de clichês em cima de clichês. Com poucos minutos de jogo você já entende tudo o que está por vir.

Bem, vamos lá. Dou uma chance para você descobrir o que acontecerá com o garoto solitário que odeia androides e encontra uma androide avançada, bonita, gentil e programada com altas doses de servilismo. Exatamente, ele se apaixonará. Seguindo os clichês mais baratos de histórias dessa temática, descobrimos que a família totalmente disfuncional do protagonista também odeia androides. Isso, claro, tornará complicada a estadia de Lucy na casa do garoto.

Cansativo demais

Lucy: A Eternidade Que Ela Desejava, tenta, a todo momento, ser uma história profunda que provoca reflexões no jogador, mas falha miseravelmente. Os personagens não possuem nenhuma sutileza. Todos são construídos em volta de sua única característica principal e pouco se movimentam além dessa essência. Lucy, a androide, ‘vive’ para servir e ser aceita. O pai do garoto é o intransigente cruel. O amigo do garoto é o sensato. O garoto é o surpreendido pelas circunstâncias. São adjetivos monotemáticos em forma de personagens. Há ainda outros, mas são insignificantes.

Mesmo o epílogo, passado anos no futuro da história, falha em sair do raso de tudo construído até ali. Os clichês são irritantes, os diálogos demasiados longos, as escolhas são inúteis. Nem os poucos momentos de humor encontrados ao longo da jogatina elevam a obra na escala de diversão. Recomendo o jogo apenas se você deseja aprender sobre clichês ou se precisa decorar as Três Leis da Robótica (acredite, você as lerá muito).


Lucy: A Eternidade Que Ela Desejava
Modern Visual Arts Laboratory, SEO INSEOK

 Uma aula sobre as Três Leis da Robótica.
 Momentos pontuais de humor.
 Excessivamente clichê e raso.

 Lucy: A Eternidade Que Ela Desejava tenta ser profunda, mas se perde em repetições, personagens rasos e uma trama previsível. Apesar de alguns sinais de humor, o jogo raramente se eleva acima do básico.

Jogado no PC via Steam.

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