Para a surpresa de nenhum jogador das produções próprias da Tectoy nos anos 90, alguém adoeceu e precisa urgentemente de um remédio. Em Sítio do Picapau Amarelo, Tia Nastácia adoece, acometida pelo “Feitiçus Acumulatus”. E há um agravante: caso não tome o remédio necessário até a noite seguinte, ela ficará adormecida pelos próximos 100 anos. E para quem sobra o desafio de reunir os cinco ingredientes necessários para o preparo da poção? Ganhou um prêmio imaginário quem disso Pedrinho e Emília.
Uma obra centenária
Escrita por Monteiro Lobato, Sítio do Picapau Amarelo é uma série de livros de literatura fantástica nacional. A primeira história foi publicada no longínquo ano de 1920. Lobato continuou publicando histórias por quase 30 anos, até 1947, mas os relançamentos dos livros continuaram mesmo após a morte do autor. As histórias sempre tiveram vendas significativas num país pouco afeito às leituras, estando ainda hoje presente nas listas de leitura de escolas Brasil afora.

Parte desse sucesso alcançado por Sítio do Picapau Amarelo, entretanto, pode ser creditada às séries live action exibidas na televisão. Entre as várias adaptações, a de maior repercussão foi a realizada pela TV Globo em parceria com a TV Educativa. Iniciada em 1977, foi produzida por dez anos, com inúmeras reprises posteriores em vários canais.
Mas, claro, uma obra com tamanha repercussão não ficou apenas nos livros e séries de TV. Animações, filmes, quadrinhos, peças de teatro e discos baseados em Sítio do Picapau Amarelo foram lançados ao longo do tempo. E é claro, a Tectoy não ficaria de fora de algo tão grande. Em 1997, a empresa lançou um jogo para Master System baseada nas histórias de Lobato.
Sítio no Master System
No final dos anos 90, quando o primeiro PlayStation, Saturn e Nintendo 64 estavam no mercado, o Master System já estava abandonado pela Sega há algum tempo. Mas não pela Tectoy. No Brasil, o Master System continuava sendo vendido normalmente (na verdade, continua até hoje). Então, para suprir a necessidade de novos jogos para os compradores do console, a empresa brasileira se virava para produzir seus próprios jogos. E é dessa conjuntura que o jogo do Sítio do Picapau Amarelo surge.

Assim como os demais jogos 8 bits da produtora, Sítio do Picapau Amarelo está longe de poder figurar entre os melhores da plataforma. Este em particular corre o sério risco de estar entre os piores. De curta duração, como os demais jogos da Tectoy, era dividido em quatro fases. Em cada uma delas você consegue um dos ingredientes para o remédio de Tia Nastácia. Os cenários das fases são simples e sem graça. Além do perceptível reaproveitamento de recursos de outros jogos.
Os controles continuam a ser o que de pior os jogos nacionais da Tectoy têm a oferecer. Matar ou desviar dos inimigos é um suplício. Os personagens não respondem bem aos comandos do jogador. Entre apertar o botão 2 no controle e Pedrinho ou Emília começar a correr, passam-se eternos segundos. Planejar as formas de chegar aos finais das fases deve levar em conta esse problema. Não bastasse isso, o estilingue do Pedrinho e as pedradas da Emília são praticamente inúteis. Uma pena que Sítio do Picapau Amarelo tenha sido desperdiçado em um jogo tão ruim. É uma obra que só vale pelo fator histórico. Recomendo “jogar” pelo YouTube.
Sítio do Picapau Amarelo foi desenvolvido e publicado por Tectoy. Foi lançado em 1997 para Master System. Este título foi descontinuado comercialmente e pode ser acessado atualmente em canais voltados à preservação digital e arquivamento histórico.