Diablo é uma daquelas séries de jogo com mundos gigantescos. Com três jogos lançados, a história de Santuário é complexa e cheia de pormenores. O sucesso dos jogos acabou por levar essa história para outras mídias. Jogos de tabuleiro, animações, livros, quadrinhos, além de eventuais interseções com outras obras da Blizzard, tornaram-se comuns. Com um pano de fundo tão vasto, muitas dessas obras derivadas servem apenas para consolidar o mundo, mostrando histórias paralelas aos jogos, que não necessariamente possuem impacto nas tramas principais.
O quadrinho Diablo III é um desses produtos que miram os fãs da série, embora esteja na periferia da história principal do mundo de Santuário. Lançada na esteira do esperado terceiro jogo da franquia, o quadrinho é uma minissérie que foi dividida em cinco partes. No Brasil, a Panini lançou a história em uma edição especial reunida em volume único.
Diablo III em quadrinhos
Na obra, acompanhamos o jovem Jacob, que vive a típica vida miserável de todo ser de Santuário. Sua cidade, Staalbreak, situada a noroeste do mundo, foi tomada pela Peste. Como consequência, a maioria da população começa a ceder aos poderes do inferno, tornando-se, no processo, violentos e irracionais.
Estando entre os primeiros infectados, o pai de Jacob, policial da cidade, em meio a sua paranoia, manda executar a própria esposa. Jacob, numa tentativa desesperada de devolver a lucidez a seu pai, acaba o assassinando em uma briga de espadas. Sem alternativas, foge da cidade e começa a ser caçado pelas forças do lugar. Começa, neste momento, de fato, a história da obra em quadrinhos.

“O medo é combustível
O sangue é centelha
Inflamam a raiva
E trazem a escuridão”
A partir daí, o jogador de Diablo se deleitará por paisagens inspiradas no mundo do jogo. Sombrias em sua maioria, há espaço também para as paisagens desérticas mais claras presentes no terceiro jogo da franquia. As criaturas demoníacas da série estão presentes nos cinco capítulos da história, agindo com frieza e brutalidade. O leitor pode esperar por assassinatos, eviscerações e muito sangue. Tudo de forma gráfica e sem censura, como nos videogames.
Por se tratar de uma história, num primeiro momento, de fuga, muito se passa além da ação dos combates. Também furtiva, a tensão se dá na tentativa de Jacob de livrar-se de uma possível captura. Encontrando aliados pelo caminho, a segunda metade da trama se transforma na tentativa de livrar Staalbreak da corrupção infernal.
Acertos e falhas
As cores utilizadas no quadrinho fazem jus a Diablo III. Cabe lembrar que o jogo esteve envolto em polêmica no seu lançamento justamente pelo visual adotado pela Blizzard. Diferente dos dois primeiros jogos, mais escuros e com visual de abundantes elementos góticos, Diablo III desagradou pelo mundo mais claro e até colorido.
Lançado quase simultaneamente ao jogo, a obra em quadrinhos também segue o que é visto nos videogames. Neste quesito, os que desgostaram do visual do jogo também podem torcer o nariz para o quadrinho. Trata-se, no entanto, de uma questão pessoal do leitor e não de qualidade da arte da obra.
Na edição nacional, uma questão gráfica prejudica a leitura em alguns balões. Letras brancas num fundo cinza claro. Felizmente, isso ocorre apenas em um pequeno momento da história.

Como toda obra licenciada, Diablo III em quadrinhos obviamente tem nos fãs dos games o público-alvo. A história tem como pano de fundo uma importante passagem da história, ligando o segundo e o terceiro jogo. O personagem Jacob aparecerá como um NPC em Diablo Immortal, jogo da série para aparelhos móveis, ainda não lançado.
Diablo III
Panini
Roteiro: Aaron Willians
Arte: Joseph Lacroix
Tradutores: Rodrigo Oliveira, Bernardo Santana