Viviette faz uso de um conhecido recurso narrativo para iniciar a sua história. Jules Fosset, um dos personagens principais da trama, acorda de um período inconsciente na cama de um hospital. Como você deve imaginar, ele não se lembra do que o levou até ali. Então, passa a contar com a ajuda da equipe médica e do inspetor de polícia Marcel Davault para recordar dos intrigantes acontecimentos passados recentes.
Logo ficamos sabendo que dias antes, Jules e sua irmã Felice, ao lado de três amigos, foram explorar uma grande mansão dita assombrada em uma ilha desabitada. Que programa, hein? Ao chegar o momento de se reunirem para o retorno ao continente, percebem que Felice ainda está dentro da casa. Jules retorna para encontrar a irmã, enquanto os amigos vão para o barco esperá-los.
Mas, algo acontece e deixa Jules desacordado. Ao recuperar os sentidos, o protagonista se vê sozinho naquele estranho lugar…
Primeira impressão
Iniciamos Viviette com uma primeira boa impressão. Seu visual, num charmoso estilo 16 bits, imediatamente agrada ao olhar. A estética escolhida para o mundo, com ares vitorianos, é bonita e com bastante detalhes. Consistente, ela se mantém elegante por todas as localizações do jogo, ainda que seu escopo reduzido acabe contribuindo para uma falha.

Viviette se passa numa mansão abandonada. Dessa forma, excetuando o grande jardim em volta da casa, os demais espaços explorados pelo jogador, apesar de bonitos, são poucos e limitados. Assim, mesmo quando temos toda a mansão aberta, revisitaremos várias vezes os mesmos ambientes inúmeras vezes.
E ainda há o fator escuridão, que será abordado à frente.
Estilo de jogo
O jogo flerta com a escuridão. Transcorrendo à noite, todos os ambientes são muito escuros. Para enfrentar esse problema, o jogador contará, desde o início, com uma lanterna alquímica que será parte importante da jogabilidade. Com ela equipada, podemos ver os ambientes de forma satisfatória, embora num raio bem pequeno em volta do personagem, criando uma atmosfera de tensão constante.
Viviette é um jogo de exploração e resolução de quebra-cabeças. E eles são difíceis. Quase injustos. Com a iluminação escassa, é difícil encontrar certos objetos necessários para prosseguir no jogo. Geralmente, encontra-se o objeto nº1, que o leva ao objeto nº2, que abre a porta nº3, que dá acesso ao ambiente nº4, que leva ao… bem, já deu para entender. Alguns jogadores traçam um paralelo entre Viviette e o primeiro Resident Evil nesse subterfúgio de jogabilidade. E realmente há algumas similaridades na forma de exploração.

E a dificuldade não fica apenas na escuridão. O jogo não tem nenhum tipo de ajuda, seja visual ou textual. A resolução de alguns desafios de quebra-cabeças beira a tentativa e erro pura e simples.
Por exemplo, um dos desafios iniciais é clicar em dois botões numa máquina para liberar uma chave. A sequência de cliques que deve ser seguida é indicada por um quadro na parede retratando uma família. A lógica do quebra-cabeça se relaciona com a altura das pessoas na ilustração. Botão com a seta para cima para pessoas altas e botão com seta para baixo para pessoas baixas. Não há absolutamente nada no ambiente além dos próprios quadros que leve o jogador naturalmente para essa resolução. Inspirado no quebra-cabeça dos quadros de Resident Evil, Viviette não consegue fazer tão bem. Isso, infelizmente, se repete em quase todos os outros desafios.
Mr. X Nemesis Viviette
Mas quem é essa tal de Viviette que nomeia o jogo? Ela é a antiga moradora da mansão, onde vivia com seu marido. Uma série de acontecimentos terríveis culminaram em sua condição de espírito que vaga pelo local. E ela será um grande desafio a ser superado pelo jogador.

Assim como os famosos personagens da Capcom, Mr. X e Nemesis, Viviette perseguirá Jules constantemente. Nos momentos em que ela surge (e não serão poucos), o jogador devera correr, mudando de ambiente até conseguir despistá-la. É possível também desligar a sua lanterna. Fazendo isso e mergulhando o ambiente na escuridão, Viviette não será capaz de vê-lo. Isso, no entanto, não faz com que ela vá embora, dando ao jogador apenas alguns instantes para estruturar uma estratégia de fuga. Se for pego, aperte freneticamente o botão de ação para se soltar antes que uma barra de energia acabe.
E não, não é fácil escapar de Viviette. Se os quebra-cabeças não são intuitivos, resolvê-los com um espírito em seu encalço tornará tudo ainda mais difícil.
Outros pontos
Ao longo da exploração, alguns documentos que contam a história da mansão e de Viviette são encontrados (Resident Evil, é você?). A trama é interessante, mas senti falta de desenvolvimento de certos pontos da história. Mas apesar dos escorregões, ela cumpre bem o seu papel de criar um pano de fundo satisfatório para o jogo.
Os sons são excelentes e realmente assustadores. Fiquei impressionado quando ouvi a respiração ofegante de Jules após uma longa corrida ou os barulhos macabros do espírito de Viviette. Os acertos no visual e nos sons, porém, acabam sendo ofuscados pelos quebra-cabeças cansativos e injustos.
Viviette
DYA Games
Estética vitoriana consistente e cheia de detalhes, que cria uma atmosfera única e atraente.
Trilha sonora contribui para o clima tenso e assustador.
Quebra-cabeças pouco intuitivos e frequentemente injustos.
Viviette constrói uma atmosfera bonita e opressiva, com uma sensação constante de perseguição que realmente funciona. No entanto, seus quebra-cabeças pouco lógicos acaba minando parte da experiência.
Jogado no PC via Steam.