Cena escura com jovem de camisa branca e saia xadrez em frente a janela azul brilhante. Atrás dela, figura sombria com olhos vermelhos e braços estendidos. À direita, placa iluminada em azul com título ‘The Orphan: A Tale of an Errant Ghost’, acompanhada de vela e rosa vermelha.

The Orphan: A Tale of An Errant Ghost | Um amontoado de clichês que não vale ser jogado

ALERTA DE CLICHÊ: Sarah é uma menina órfã. ALERTA DE CLICHÊ: Sarah foi adotada por um amoroso casal. ALERTA DE CLICHÊ: Sua mãe adotiva fica grávida. ALERTA DE CLICHÊ: Sarah perde espaço na família após o nascimento de sua irmã. ALERTA DE CLICHÊ: Toda a família desaparece misteriosamente.

Essa é a premissa de The Orphan: A Tale of An Errant Ghost, mas os clichês não param por aí. Você é a prima de Sarah, e como se já não houvesse clichês suficientes, você perdeu parte de sua memória. E é dessa forma que você parte para a casa em que a família de Sarah morava para tentar resolver todo o mistério.

O jogo não é bom

The Orphan é um jogo point’n’click. Nele, você procura chaves para conseguir destrancar portas, recolhe itens para rituais e ferramentas para prosseguir na história, que, apesar dos clichês, tenta intrigar o jogador. E até poderia ser um jogo mediano, não fosse entulhado de decisões ruins e falhas irritantes de design.

Página com fundo de pergaminho mostrando desenho de três figuras de mãos dadas sob sol e nuvens. À direita, texto manuscrito descreve adoção e medo de ser devolvido.
Trágico

Vamos começar com os pontos positivos: nota-se que em The Orphan, os desenvolvedores tiveram um genuíno desejo de oferecer um jogo ao menos razoável. Seu visual, nos momentos de busca pelos objetos em cena, são interessantes, embora destoe da movimentação pelos cenários, momentos esses em que a qualidade artística cai drasticamente. E isso é o que, fazendo um grande esforço, pode ser destacado como positivo em The Orphan.

Ok, agora vamos aos pontos negativos. Comecemos com a movimentação. Com visão em primeira pessoa, o jogador apenas clica nas bordas da tela ou nas portas para avançar pelo cenário. Em determinados pontos, porém, a linha que separa o clique em um objeto e o clique na borda da tela é tênue. Nesses momentos, espere para se irritar mudando de cenário quando queria na verdade apenas clicar em um objeto necessário para avanço na história. Essa questão é agravada porque não há uma indicação visual do cursor quando este se encontra sobre uma área clicável.

A falta de um mapa também atrapalha a navegação pela casa. Isso, aliado a cenários mal iluminados e alguns erros, como uma parede que se comporta como uma porta, pode deixar o jogador perdido em alguns momentos. Mesmo a pouca quantidade de ambientes não minimiza essa falha. A escuridão também atrapalha nos desafios de encontrar objetos. Levando-se em conta que esse é o principal desafio do jogo, parece uma maneira pouco inspirada de elevar o desafio para o jogador.

Prateleira de madeira em jogo de objetos escondidos, iluminada em tons azulados e avermelhados. Itens incluem guaxinim, vaso, trompete, ábaco, cofrinho, botas, chapéu, cubo mágico, urso de pelúcia, garrafas e pequenos objetos como corda, cinto, sabonete e saca‑rolhas. Lista de itens procurados aparece à esquerda.
Encontre os objetos

Tudo isso é acompanhado de uma série de pequenas outras falhas que impedem a recomendação de The Orphan. O sistema de ajuda do jogo é inútil fora dos desafios de procura de objetos. Na exploração, ele apenas indicará portas ou locais de quebra-cabeças e não dicas para superar os desafios. Faltam animações no uso de objetos, que apenas desaparecem de seu inventário quando combinados de forma correta no cenário. A ‘tradução’ para o português foi toda claramente feita no Google Tradutor. Recomendo jogar na língua original. Recomendo não jogar. E, para finalizar, não há nenhuma forma de penalidade ao jogador por cliques errados. Neste caso, pode-se dizer que jogar o jogo já é punição suficiente.


The Orphan: A Tale of An Errant Ghost
Deertwig Studio

 O visual das cenas de busca de objetos é relativamente interessante.
 A premissa tenta criar um mistério envolvente, mesmo que repleto de clichês.
 Ausência de mapa, cenários escuros e falta de indicação de áreas clicáveis tornam a progressão cansativa e confusa.

 Apesar de tentar construir um clima misterioso e entregar alguns raros momentos visuais decentes, The Orphan: A Tale of An Errant Ghost é esmagado por decisões de design equivocadas que tornam a experiência irritante.

Jogado no PC via Steam.

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