Cena em pixel art com personagem de chapéu grande caminhando na areia ao lado do mar calmo sob céu azul com nuvens. Ao fundo, estruturas douradas altas parcialmente cobertas por vegetação. Título ‘Evan’s Remains’ aparece no topo com texto japonês abaixo.

Evan’s Remains | uma busca cheia de reviravoltas

Como é boa a sensação de sermos surpreendidos positivamente. Sobretudo, por algo que sequer fazíamos ideia da existência até momentos antes de acontecer. Foi esta a sensação que tive com Evan’s Remains, jogo que conheci devido aos algoritmos de recomendações da Steam. Com preço baixo e descrição interessante, logo estava fazendo parte de minha modesta biblioteca de jogos.

Em resumo, Evan’s Remains é um jogo de quebra-cabeças de lógica em plataformas que tem como pano de fundo uma misteriosa história sobre o desaparecimento de um menino gênio. Mas qualquer descrição feita para ser colocada numa caixinha não fará jus ao que o jogo realmente é. Precisamos de um pouco mais de palavras para falar de Evan’s Remains e é o que faremos aqui.

Romance e/ou quebra-cabeça

Evan’s Remains é um jogo de romance e quebra-cabeças, ou apenas um dos dois. Mas, não uma mistura dos dois. Parece complicado, mas é simples. As resoluções dos segmentos de quebra-cabeça, embora permeadas ao longo do jogo, não possuem nenhuma interferência na história. Já a história pode ser apreciada sem se resolver nenhum dos quebra-cabeças.

Pixel art mostrando personagem de chapéu branco em pequena plataforma diante de parede marrom com padrões geométricos. Plataformas com plantas e flores cercam duas quedas d’água laterais que descem até área clara semelhante a areia.
Quebrando a cabeça

Explico. O jogo alterna esses momentos. Após um ou dois quebra-cabeças, temos o avanço da história. Os quebra-cabeças, entretanto, podem ser ignorados sem qualquer consequência para a história. Dessa forma, o jogador pode se concentrar apenas nos quebra-cabeças ou focar na história. Ou ambos. Sobre essa característica, Matias Schmied, desenvolvedor do jogo, falou em um AMA do Reddit:

“Como o jogo combina dois gêneros que normalmente não vemos coexistindo, ele pode atrair dois tipos de jogadores completamente diferentes: os que gostam muito de quebra-cabeças, mas não gostam muito de histórias, e os que gostam de histórias densas, mas não são fãs hardcore de quebra-cabeças.

Então, se você quiser apenas jogar alguns quebra-cabeças, pode pular a história. Ao mesmo tempo, se você estiver envolvido com a história e os quebra-cabeças estiverem atrapalhando, não há obrigação de resolvê-los. Claro, muitas vezes os jogadores simplesmente gostam de ambos, então não é um problema, mas tentamos tornar mais fácil para cada tipo de jogador de uma forma barata em termos de desenvolvimento.

Além disso, acredito firmemente em acessibilidade e jogos fáceis.”

Jogando Evan’s Remains

No jogo, você controla Dysis, uma jovem enviada a uma ilha misteriosa em busca de um menino gênio chamado Evan. Como dito, o jogo alterna entre a história e os quebra-cabeças. Esses quebra-cabeças são desafios de uma única tela e envolvem descobrir um meio de alcançar a passagem para a próxima tela e continuar a aventura.

De modo geral, os desafios envolvem pular sobre blocos, que fazem aparecer ou desaparecer novas plataformas na tela. Alguns desses blocos também possuem o poder de fazer Dysis se teletransportar para outras lugares. Os desafios iniciais são bem simples, introduzindo o jogador à lógica do jogo. Já os quebra-cabeças mais avançados requerem um pouco de atenção para serem superados. Não há dificuldade nos pulos entre as plataformas, ficando o desafio exclusivamente na lógica da sequência requerida para se chegar ao final.

Empacou no desafio? Sem problemas, pule o quebra-cabeça e continue na história.

Cena em pixel art com personagem de chapéu correndo por caminho arenoso ao lado de água refletindo pilares, escadas e vegetação. Céu claro com sol e nuvens ilumina ambiente com plantas e arquitetura geométrica.
Muito bonito

A história, por sua vez, é entregue ao jogador em forma de visual novel. Os personagens são apresentados em um pixel art muito bonita, assim como as paisagens do jogo. Caso seu interesse seja maior na história, prepare-se para ler bastante. No entanto, vale a pena. Quem é Evan? Por que ele desapareceu? Qual o segredo da ilha em que estamos? Por que ela está inabitada? O que são os portais espalhados pelo lugar? Há muito a ser contado.

A trama é, sem dúvida, o ponto forte do jogo, o que não significa que seja perfeita. Ela oferece surpresas e reviravoltas interessantes, mesmo com escorregões aqui e ali. O mais grave desses escorregões é justamente uma das reviravoltas no final. Como um filme que se estende demais, Evan’s Remains passa por um momento que, se fosse um final, talvez não fosse perfeito, mas seria muito emocionante. Como prossegue para algo mais intrincado, acaba perdendo a sua força.

Unindo beleza visual, possibilidade de escolha e uma história interessante, Evan’s Remains é recomendado.


Evan’s Remains
maitan69, Whitethorn Games

A alternância entre história e quebra-cabeças, permitindo ao jogador escolher como deseja aproveitar o jogo.
Pixel art muito bonita.
A história perde impacto no final ao estender-se além do necessário.

Evan’s Remains surpreende pela combinação bem executada entre narrativa e quebra-cabeças, entregando uma experiência adaptável ao gosto do jogador.

Jogado no PC via Steam.

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