Paisagem em estilo medieval com colinas, árvores e construções religiosas ao fundo. No primeiro plano, figura em armadura toca trombeta longa. Texto ‘The Procession to Calvary by Joe Richardson’ aparece sobre a imagem.

The Procession to Calvary | Um jogo feito de pinturas renascentistas

Você gosta de jogos de apontar e clicar ao estilo dos anos 90 e do humor característico de Monty Python? Tem apreço por pinturas renascentistas e músicas clássicas? Sempre desejou um jogo que percorresse todos esses interesses? Você está com sorte, pois The Procession to Calvary é um peculiar e divertido jogo que abrange todas essas características de incomum reunião.

O jogo começa nos momentos finais de uma Guerra Santa. Bellona, a personagem principal, que participou ativamente dos recentes acontecimentos, está desolada com o fim do conflito. Viciada em cometer assassinatos, teme que não poderá mais se divertir com sua espada nos tempos de paz que se avizinham. Para sua sorte, um acordo feito meio que nas entrelinhas com John Imortal, o vencedor coroado rei, lhe dá a oportunidade de realizar uma última missão: assassinar Peter Celestial, o rei derrotado.

O início de uma aventura maluca

Como um raio não cai duas vezes no mesmo lugar (um ditado que não vale para The Procession to Calvary), Bellona parte em sua aventura sangrenta. É quando começa a diversão do jogador, provocada principalmente pela loucura audiovisual do jogo. Com cenários totalmente feitos a partir de pinturas renascentistas e suas personagens mais famosas, durante a jogatina passamos por famosas crucificações, reuniões demoníacas, cemitérios, bosques, cidades e grandes templos. Cada cenário/pintura está repleto de detalhes para serem explorados e a transição entre os locais é consistente, não denunciando uma origem tão diversa.

Montagem digital baseada em pintura renascentista mostrando várias cenas de tortura e execução. À direita, figura com chicote aparece ao lado do texto ‘Eu amo tortura!’ inserido de forma moderna.
Hora do churrasco

A interação com o mundo, como pode-se esperar de um jogo de apontar e clicar, é feita através de um menu radial que se abre quando clicamos em objetos e pessoas de interesse para a história. Nele, as opções clássicas de tocar/pegar, observar e conversar ficam disponíveis. Quando Bellona está empunhando a espada, a opção de tocar/pegar é substituída pela de atacar. Fique atento para não assassinar ninguém “por engano”.

Aliás, o caminho de assassino em série é o mais fácil para chegar ao final do jogo, embora resulte no pior final. É uma forma de burlar os vários quebra-cabeças que vão tornar bem difícil a missão de busca do melhor final de The Procession to Calvary. Os desafios não fogem muito dos vistos em outros jogos do gênero. Encontre um objeto, leve a algum lugar, combine com outro, desbloqueie caminhos. No entanto, nenhum desses problemas possuem respostas óbvias, a maioria requerendo do jogador atenção (e uma dose de percepção) ao que é solicitado pelos personagens ao longo da história.

Três personagens vestidos com roupas renascentistas exibem placas com números: 9, 9 e 10. Fundo interno em tons quentes sugere plateia desfocada, criando efeito humorístico de julgamento.
Dê sua nota

A comicidade dos diálogos, da história e das situações em que Bellona se envolvem tornam mais divertida e leve a jornada na resolução dos quebra-cabeças. O humor ácido, por vezes mórbido, dá o tom de toda a narrativa. Até algumas quebras da quarta parede surgem para tornar toda a loucura ainda mais pronunciada. As animações, feitas como recortes desengonçados, se casam de forma certeira com a natureza das situações. Beira o surreal. Cabe o aviso de que pessoas muito sensíveis a conteúdos relacionados à religião podem se incomodar com os acontecimentos da história.

Em resumo, The Procession to Calvary é um jogo curto, recomendado aos fãs de jogos de apontar e clicar dos anos 90 e aos apreciadores de histórias malucas.


The Procession to Calvary
Joe Richardson, Nephilim

 O uso criativo de pinturas renascentistas como cenários, todas integradas de forma consistente, cria uma identidade visual marcante e distinta.
 Os diálogos afiados, as situações absurdas e as constantes quebras da quarta parede tornam a aventura especialmente divertida.
 Alguns quebra-cabeças exigem soluções pouco intuitivas, o que pode frustrar jogadores acostumados a lógicas mais diretas no gênero.

 The Procession to Calvary é uma pequena joia para fãs de point-and-clicks clássicos, combinando arte, irreverência e um humor deliciosamente estranho.

Jogado no Xbox Series S

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