Logo ‘NEKOKORO’ em letras arredondadas azul, rosa e laranja, com rosto de gato estilizado no ‘U’ e cauda no ‘Y’. Pequenas pegadas coloridas ao redor e caracteres japoneses em círculos abaixo.

Nekokoro | Abrigando catgirls refugiadas

Recentemente, joguei King of Phoenix, romance visual da King Key Games. Foi, digamos, decepcionante. Ao iniciar Nekokoro, tive a sensação de que teria uma desilusão semelhante. Afinal, ambos jogos compartilham da mesma estrutura em suas histórias. Mas é aí que reside o ponto forte de Nekokoro: sua história. Veja bem, com isso não quero dizer que se trata de uma obra-prima das narrativas. Longe disso. Mas baseado em minha experiência anterior, Nekokoro elevou um pouco a minha média de satisfação com visual novels.

Fuga do Planeta dos Gatos

O jogo começa construindo o background de Mark, jovem universitário que mora em um apartamento cedido pelo tio que foi viver no exterior. Ele leva uma vida com nada fora do comum, até o dia em que três gatas aparecem em sua porta. Claro, não se tratam de gatinhas comuns. São três catgirls que fugiram de seu planeta natal e buscam refúgio na Terra. Mark, um pouco incrédulo, acaba por deixar que as três garotas passem um tempo com ele até acharem uma solução para os seus problemas de refugiadas. E se parece um pouco rápido demais, é assim que a história segue, rápida demais.

Cena anime em cozinha moderna com três personagens de orelhas e caudas de gato: figura de cabelo laranja ao centro, personagem de cabelo branco à esquerda e personagem de cabelo azul à direita.
Trio de refugiadas

Com o passar dos dias, como é esperado, o quarteto acaba ficando mais próximo. Com isso, a personalidade de cada personagem fica mais evidente. Rose é a que tem mais destaque no roteiro. Mais vaidosa e distraída, acaba protagonizando a maior parte dos momentos cômicos da história. Iris é a irmã mais velha. É também a gênio entre as três. Aparenta ser forte e inabalável, mas mostra suas fraquezas em determinadas situações. É ela que lidera os esforços de saber se é possível o retorno ao seu planeta natal. Lily, por sua vez, é a que menos se destaca. Seus interesses e personalidade só vêm à tona em sua rota da história.

Catgirls do espaço

Se as irmãs catgirl são vibrantes e divertidas, Mark, por sua vez, é um personagem que beira a frivolidade. É um sujeito raso e muitas vezes arrogante, mesmo que aparentemente de forma não intencional. Não acho, entretanto, que nada em sua personalidade deveria ser mudada. Eu apenas não fui com a cara dele. Gostaria apenas que as garotas tivessem um anfitrião mais gentil.

Gato marrom‑avermelhado caminhando com cauda erguida e olhos fechados sobre fundo em degradê de tons quentes de laranja. Estilo simples e suave.
É uma gatinha

Com relação à trama da fuga das garotas, pouco pode ser dito sem estragar a experiência com spoilers. Não há muita ênfase na narrativa sobre as causas, com o jogo focando mais em suas consequências. Mas apesar da pouca profundidade, é uma trama de fundo competente para o que o jogo propõe.

Jogando Nekokoro

O visual do jogo é bonito. Os cenários de fundo são detalhados, muitas vezes se sobressaindo às personagens. Estas, por sua vez, apresentam um pouco de inconsistência em algumas cenas. O fato de estarem quase sempre com a mesma roupa é explicado na história, o que é um ponto positivo. Suas expressões faciais variam conforme as situações apresentadas, assim como suas orelhas e rabos de felino. As personagens também se movimentam em algumas situações, o que torna menos cansativo o transcorrer do jogo, algo que ocorre em outros jogos do gênero.

Personagem chibi com orelhas e cauda de gato, cabelo lilás em maria‑chiquinhas e vestido rosa, segurando bandeja com cookies. Fundo em degradê laranja‑rosa com estrelas brancas brilhantes.
Hora dos biscoitos

A trilha sonora é praticamente neutra. Não ajuda, mas também não atrapalha. Ela tenta criar a atmosfera necessária, o que nem sempre é conseguido. A dublagem das garotas, que no início pode soar estranha, se mostra competente no decorrer da jogatina. Os poucos efeitos ao longo do jogo também cumprem o seu papel.

Quanto a conteúdo extra, ele é inexistente. Mesmo algo básico como galeria de imagens, algo comum em visual novels, não existe em Nekokoro.

Um bom jogo

Nekokoro é um bom passatempo, embora passe a impressão de inacabado em certos pontos. A história parece ter sido apressada, possuindo potencial para ter sido aprofundada em diversos aspectos. Os caminhos individuais de cada garota são semelhantes na sequência de acontecimentos, alterando apenas as suas aspirações e planos. Apesar dos pontos falhos, Nekokoro é um jogo que merece ser conhecido pelos apreciadores do gênero.


Nekokoro
Mikołaj Spychał

 História mais envolvente do que o esperado.
 Personagens com expressões, animações e personalidade distintas que sustentam o humor e a leveza da narrativa.
 Conteúdo extra inexistente e rotas individuais que repetem a mesma estrutura, limitando o potencial da experiência.

 Nekokoro não reinventa o gênero, mas oferece uma história leve e personagens simpáticas que tornam o jogo um passatempo agradável.

Jogado no PC via Steam.

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